sábado, 19 de maio de 2012

CUIDAI DO CINE RIO BRANCO DE VARGINHA

Cuidai de vossos monumentos e não sentireis a necessidade de restaurá-los. Qualquer lâmina de chumbo colocada sobre o telhado, algumas placas de beiral espaçadas no tempo salvarão o telhado e a parede. Supervisionai o velho edifício com cuidado dedicado, protegei-o melhor que puderdes, e a qualquer custo, de qualquer influência dilapidadora. Contai-lhes as pedras, vigiai-o: cingi-o com ferro onde está desfazendo, sustentai-o com madeiramento onde declina, dai-lhe este pensamento: - vale mais uma muleta do que uma perna a menos. Fazei isto com ternura, com reverência constante e muitas gerações nascerão ainda e passarão sob sua sombra!”

John Ruskin .




Preocupo-me com a memória de Varginha, por isso a preservação do Cine Rio Branco é tão importante, não somente pelo que representa como ícone artístico e cultural. Não apenas, porque o Cine Rio Branco de Varginha é lindo e pertence a uma época gloriosa da difusão da arte cinematográfica em todo país e no mundo. Mas porque vejo quem poderia contribuir tanto de braços cruzados, a tristeza, confesso, é desanimadora. Contudo, percebo que há pessoas como eu que se preocupam, ainda que não se manifestem publicamente, então seguir em frente é mais forte.

Recentemente deparei-me com o trailer oficial de GIRIMUNHO, "o filme tem como tema o sertão mineiro, onde o tempo parece andar ao ritmo do rio, duas senhoras acompanham o girar do redemoinho. Bastú acaba de perder o marido Feliciano e sem choro busca abrigo nos sinais do dia a dia e em suas lembranças. Mas é na liberdade dos sonhos e nas novidades trazidas pelos netos que ela faz sua própria transformação. Maria carrega em seu tambor a alegria e força de seu povo. Seu batuque ecoa os sons de outros lugares e marca a presença daquilo que não pode morrer. Neste universo onde a tradição é surpreendida pela novidade e a realidade pela invenção, pequenos movimentos podem fantasiar o correr da vida.”

“... e sem choro busca abrigo nos sinais do dia a dia e em suas lembranças...”


 E se roubassem nossa MEMÓRIA, perdêssemos todas as nossas lembranças e referências, onde buscar abrigo?




Existe em Varginha uma “política cúpida de desconstrução da imagem do Cine Rio Branco”, que se intensificou nos últimos anos, começaram a circular pela imprensa e redes sociais fotos de um cinema combalido, sujo, feio, sendo referendado como criatório de escorpiões e roedores, anunciando que sua marquise estava caindo e colocando em risco a segurança da população. Então, o encheram de tapumes, fazendo com que se pareça ridículo, sendo visto por todos como uma verdadeira “Caçamba repleta de entulhos" no coração de Varginha.
A dor e a indignação foram maiores e precisei me manifestar no sentido de que:

O Cine Rio Branco repudiou as Casas Pernambucanas, repudiou as Lojas Americanas e vai repudiar sempre, tudo que não estiver à altura de sua magnitude- é a vocação natural de ser palácio. O Cine Rio Branco tem vida própria!

 Toda vez que tentam humilhá-lo, denegri-lo e negligenciá-lo mais do que ele pode suportar ele se rebela.

Foi uma honra ter feito parte dessa história de bravura, suor, risos e lágrimas e de irrestrita solidariedade, muito especialmente ao lado de duas, das muitas meninas e meninos que o fizeram - estão fazendo: Valéria Neno e Leila Lusso, sem estas grandes meninas a história jamais seria escrita.

A partir disso, fui procurada por várias pessoas na rede social, na maioria jovens, querendo fazer algo se lamentando e se indignando com a situação do cinema, mas sem saber como e o que fazerem, sendo assim, mesmo estando morando em Niterói há nove anos, não foi possível deixar de me envolver de querer resolver esta situação que indigna e sensibiliza a todos nós, definitivamente.

Preciso de ajuda, não vou conseguir fazê-lo sozinha, ninguém pode!

Mas confesso que estava me sentindo solitária, mesmo tendo a comunidade acusado recebimento de 15.000.00 acessos em poucos dias (é o que se viu pelo painel administrativo).As pessoas em sua grande maioria querem o Cinema de volta, falam comigo em particular, mas não querem se expor e quem mais poderia ajudar fica assistindo a tudo de braços cruzados, isso quando não atrapalham.

Vocês meu queridos amigos, artistas, intelectuais,educadores,todos que valorizam a arte , a cultura e a memória, são imprescindíveis na luta pela preservação do Cine Rio Branco e principalmente para dar-lhe o destino digno que tanto merece .


Contem comigo sempre

Sônia Terra

http://www.facebook.com/CineRioBranco?filter=2

IMAGENS DE DESCONSTRUÇÃO DO CINE RIO BRANCO






































Fotografias: Blog Do Madeira e Ronaldo Lousa

sexta-feira, 18 de maio de 2012




CINE RIO BRANCO DE VARGINHA TOMBADO COMO PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE MINAS GERAIS






Texto recuperado do site original do "MOVIMENTO DOS SEM TELA".

 Caracterização Arquitetônica

A caracterização arquitetônica original está descrita e documentada em texto dos arquitetos Olavo Pereira da Silva e Maria Cristina Caio Silva em 20 de junho de 1998, textualmente reproduzido abaixo:

"Quando procuramos por uma característica particular ou por elementos originais no prédio do Cine Rio Branco vamos encontrá-los, com mais nitidez, no arranjo de formas arquitetônicas diversas, em sintonia com a tendência poliestilista que marcou os anos do pós guerra. O cinema surgiu num momento de grandes perspectivas para o mercado cinematográfico brasileiro, quando a Atlântida estava em plena produção, embora coincidindo com o encerramento das atividades da Vera Cruz.

Sua arquitetura exibe o timbre do ecletismo mesclado no abstracionismo do art decô, que delinea o ambiente interno, e nas cores pastéis e preto do foyer e frontaria assimétrica, com perfis e colunas inclinadas, revestimentos de pedra e vedações com tijolos de vidro alusivos ao modernismo.

Na frontaria, um grande painel de combogó, que lembra o Pavilhão Brasileiro na Feira de Nova York, em 1939-40, emoldurado por frisos, sobre a marquise em toda a extensão da fachada, sugere uma tela de projeções, caracterizando a função do imóvel. Somando-se a ele grandes vidraças conjugadas com varandas abertas e guarnecidas com balaustradas de ferro e que se repetem no interior. A simplicidade compositiva imprime o sentido arquitetônico da obra, mas não traduz a volumetria interna, talvez pela própria altura e declividade natural do terreno onde foi adequadamente assentada a platéia. Esta é dividida em nove setores, sendo seis no térreo e três no balcão.

Em que pese o repertório eclético o conjunto é vigoroso, especialmente na volumetria do ambiente interno, ajustada para 1.400 poltronas, das quais 400 no balcão. O super dimensionamento (43,50 metros de profundidade por 24,90 metros de frente) é o reflexo do monumentalismo que caracterizou um estilo de vida pré-industrial. Apesar da simplicidade das linhas a passagem do foyer para platéia é surpreendentemente contrabalançada pelo grande volume, iluminação e acústica da sala de projeções. Sente-se ali o clima romântico dos anos sessenta.

O prédio é valorizado pelo mobiliário, especialmente divãs, balcões, espelhos, lustres e luminárias. Esta últimas dos tipos cone e calota esférica, em alumínio perfurado e pintadas de cores fortes. A iluminação em cores e luzes indiretas completa a caracterização do ambiente.

Balaustradas de ferro cruzado com corrimãos de madeira polida, aliadas aos lambris de madeira canelada, ao frisamento xadrez das paredes, às poltronas e recortes da boca de cena e teto são as mais fortes expressões vinculadas ao art decô, enquanto o geometrismo ordenador confere um ar de modernidade.

Todos os revestimentos do prédio ainda estão preservados. As repinturas, embora em tonalidades aparentemente diferenciadas das originais, conservam a tendência do cromatismo original. Quando da inauguração do cinema o Jornal o Correio do Sul revela que predominavam no interior o azul, rosa e branco, além do azul-claro. O piso é taqueado na platéia e balcão, cerâmico no mezanino e marmorizado no foyer. A cobertura, originalmente de telhas cerâmicas foi substituída por telhas de cimento amianto. Sua enorme tela foi construída para exibição de filmes panorâmicos, vistavison, cinemascope, supercope, etc. A acústica é tratada com eucatex perfurado. A cabine de projeções era então o que havia de mais moderno no mundo. Também mobiliário – poltronas, bilheterias, cadeiras e divãs, mesas e balcões – encontra-se presente.

A construção de concreto armado foi fiel ao projeto, em que pese algumas diferenciações estruturais, e encontra-se em boas condições de conservação, salvo as instalações sanitárias que já perdeu alguns elementos de época, pela própria fadiga dos materiais, além de serviços generalizados de manutenção.

O Cinema Rio Branco teve suas obras iniciadas em 7 de agosto de 1954 e inauguradas em 11 de agosto de 1956 e sua importância como casa de projeções pode ser conferidas no Theatre Catalog – equipment encyclopedia and buyers guide, Philadelphia, Penna. USA. 1958, onde ilustra uma página inteira com fotos e referências técnicas.

A ficha técnica da construção do Cinema Rio Branco, publicada no jornal Correio do Sul, ano XI, n. 1.107, 16/08/1956, é a seguinte:

Construção: eng. Maurício Ferreira Barros.

Projeto e decoração: José Braga Jordão.

Cálculo de concreto: eng. Mildo Rugani.

Encarregado das obras: sr. Antonio Napoleão de Marco.

Colaboração da Eng. Engenharia de S. Paulo através de seu diretor eng. Szymon Goltard."

CRB-CARAC

web.archive.org

"Quando procuramos por uma característica particular ou por elementos originais no prédio do Cine Rio Branco vamos encontrá-los, com mais nitidez, no arranjo de formas arquitetônicas diversas, em sintonia com a tendência poliestilista que marcou os anos do pós guerra. O cinema surgiu num momento de ...



quinta-feira, 17 de maio de 2012























Cinema Icaraí agora é oficialmente da UFF e de Niterói

Por: Elaine Trintade 06/12/2011

Reitor e prefeitura compram imóvel, que vai abrigar sala de projeção, a sede da Orquestra Sinfônica Nacional da universidade e da nova Companhia de Dança.

Foi assinado nesta terça-feira o convênio de colaboração entre a Prefeitura de Niterói e a Universidade Federal Fluminense (UFF) com a finalidade de transferir o Cinema Icaraí para a universidade. 


O local será a sede da Orquestra Sinfônica Nacional (OSN) da UFF e também da nova Companhia de Dança da Cidade 
de Niterói. Ainda ontem, foi divulgado o decreto de desapropriação do imóvel.



O acordo foi assinado pelo prefeito Jorge Roberto Silveira e pelo reitor da UFF, Roberto Salles. Segundo o chefe do Executivo municipal, a negociação foi finalizada definitivamente e cerca de R$ 17 milhões serão pagos ao proprietário do imóvel, a construtora Koppex, de Fernando Policarpo. Deste montante, R$ 10,6 milhões serão provenientes da UFF, que teve a quantia disponibilizada pelo Ministério da Educação (MEC), enquanto a Prefeitura de Niterói será responsável pelo pagamento de aproximadamente R$ 6,5 milhões, que segundo o prefeito, já estão disponíveis no orçamento do executivo municipal.
“Para mim é uma satisfação pessoal. Há cerca de 20 anos eu tombei o Cinema Icaraí. Nós vamos preservar um dos imóveis referenciais da nossa cidade. Niterói tem uma ligação afetiva com o Cinema Icaraí. O prédio é emblemático, tem uma história que não se apaga”, concluiu o prefeito.
De acordo com o reitor da UFF, o Cinema Icaraí será um complexo cultural multiuso. A expectativa é de que a sala de projeção seja modernizada e continue exibindo filmes, além de servir como um espaço de apresentações culturais, sobretudo música e dança. Segundo Roberto Salles, a recuperação do imóvel será imediata e em um primeiro momento deverá ser feita pela construtora Koppex, que deve entregar o prédio nas devidas condições de uso. Vigilantes já foram disponibilizados e deverão ficar em frente ao prédio para evitar que a população de rua continue se abrigando em frente ao imóvel e para que não haja mais depredação do agora prédio público.
“Eu fico muito feliz que o ministro Fernando Hadad tenha sido sensível a esta questão tão importante para a população de Niterói, de São Gonçalo e de outros municípios no entorno e tenha disponibilizado o dinheiro para a compra do cinema. O Cine Icaraí agora pertence à população. Quem ganha com isso é a sociedade, a cultura e a arte”, completou Salles.
O dinheiro disponibilizado pelo Ministério da Educação (MEC) teria que ser utilizado até o dia 16 de dezembro e o momento da desapropriação foi crucial para o negócio. Se a negociação não fosse finalizada até o prazo, o montante teria de ser devolvido e o cinema não poderia mais ser adquirido pela universidade.

Histórico

A luta para que o prédio, fechado desde 2006, voltasse a funcionar plenamente teve participação também do secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Rodrigo Neves. Em março de 2010, Rodrigo Neves, enquanto deputado, enviou a Indicação Legislativa de nº 4814 para o ministro da Educação, Fernando Haddad, solicitando a desapropriação do prédio e a transformação em espaço cultural.

“O objetivo da Indicação Legislativa, enviada em 2010, era preservar e redimensionar o funcionamento de um dos mais tradicionais espaços culturais de Niterói, o Cinema Icaraí, e também dignificar uma das principais orquestras brasileiras, a Orquestra Sinfônica Nacional (OSN) da UFF, orgulho da Universidade e de toda a cidade, que até então estava sem sala de concertos própria. Sinto-me extremamente orgulhoso de ter feito parte desse processo”, comentou Rodrigo Neves.

O Cinema Icaraí foi construído em 1941, em estilo Art déco e hoje é o último exemplar do estilo na cidade. No prédio funcionava uma sala de cinema com 811 lugares. Em 2008, foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). O fechamento aconteceu em 2006 e desde então o prédio foi abandonado e está deteriorado. Atualmente, a entrada do imóvel, coberta por marquise, servia de abrigo para moradores de rua.



Praia de Icarái



MAC -Museu de Arte Contemporânea

Movimento Popular






O MOVIMENTO POPULAR E O MINISTÉRIO PÚBLICO FORAM DIRETAMENTE RESPONSÁVEIS PELO FINAL FELIZ DO CINE ICARAÍ ! Confira no vídeo abaixo.





http://jornal.ofluminense.com.br/editorias/cidades/cinema-icarai-e-oficialmente-da-uff-e-da-cidade


Mais um belo exemplo da Cidade Maravilhosa

SEGUNDA-FEIRA, 30 DE ABRIL DE 2012

Patrimônio Cultural do Flamengo



O novo cinema Paissandu vai abrigar mais do que filmes de arte: exposições, shows, espetáculos teatrais, galeria de arte e restaurante completam o projeto

O mesmo Rio de Janeiro que parava para ver a Garota de Ipanema passar e temperava suas conversas com as gírias lançadas pelo Pasquim tinha endereço certo na hora de ir ao cinema – Rua Senador Vergueiro, 35-F, Flamengo. Lá, por 48 anos, funcionou a sala que transformou-se em símbolo da paixão do carioca pela sétima arte: o Cine Paissandu. Desde 2008, o histórico espaço está fechado, depois de abrigar, por décadas, o melhor do cinema de arte do Brasil e do mundo – e de ter formado, nos anos 60 e 70, um grupo de cinéfilos conhecidos como a Geração Paissandu. Muitos foram os protestos contra o fechamento do cinema e mais de uma iniciativa visando sua reabertura foi anunciada. Porém, 2012 parece ser o ano em que afinal o Paissandu voltará à vida cultural carioca, numa versão repaginada, que ultrapassa o simples espaço para exibição de filmes. Tocado pelos mesmos responsáveis por sucessos como o Teatro Odisseia e o Cinematheque Música Contemporânea, o relançamento vai transformar o antigo cinema numa sala multiuso, abrigando exposições, shows, espetáculos teatrais, uma galeria de arte e um restaurante... além, claro, de filmes.     


“Como morador de Botafogo que sempre circulou pelo Flamengo, também tenho uma ligação afetiva com o Paissandu”, afirma Leo Feijó, empresário, sócio do Grupo Matriz e agitador cultural que, junto ao jornalista Rodrigo Pinto, concebeu o projeto de revitalização, aprovado pelos proprietários do imóvel há cerca de um ano. Diante da inviabilidade de transformar o cinema num multiplex com várias salas, a ideia é abrigar outras atividades e manifestações artísticas. “Há uma carência de espaços desse tipo na Zona Sul e principalmente naquele entorno. O carioca está interessado em movimentos como esse”, diz Feijó.  “Realizamos a campanha ‘Quero o Paissandu Reaberto’ no Facebook (www.facebook.com/paissandu) e conseguimos reunir 600 pessoas em um evento para lançar a iniciativa.” 

O plano para o novo Cine Teatro Paissandu prevê uma lotação variável, comportando entre 570 (cinema e teatro) e 1.700 (shows) espectadores. Com dois pavimentos (um subterrâneo), poderá comportar concertos, performances, espetáculos de dança e de teatro, exposições, festas, lançamentos de livros e gravações de programas de TV. Serão três espaços principais – um para shows e duas salas de cinema, uma das quais (a maior, com 570 lugares) capaz também de receber peças de teatro. Estima-se que até 60 mil pessoas passem pelo novo Paissandu a cada mês no primeiro ano de atividade da casa. 

O projeto pretende inserir de forma ativa o Cine Teatro Paissandu na vida cultural do bairro do Flamengo e das áreas vizinhas. O centro cultural vai emprestar apoio institucional a melhorias realizadas pelo poder público na vizinhança, além de abrigar debates sobre temas importantes para a comunidade, workshops e palestras para estudantes e cursos técnicos voltados para atividades artísticas. No tocante à sustentabilidade, pretende ser um marco entre as casas de espetáculos brasileiras. Geradores e aquecedores à base de luz solar, luzes LED (mais econômicas) e tecnologias para reúso de água da chuva e reciclagem de resíduos serão incorporados à infraestrutura. 

Por ser considerado parte do patrimônio cultural carioca, o Paissandu tem privilégios na hora da captação de verbas via Lei Rouanet. “Estamos inscritos na Rouanet e em outras leis de incentivo cultural”, conta Leo Feijó. “E também estamos em negociação com algumas empresas, que podem patrocinar a casa no modelo de naming rights (no qual uma empresa “batiza” um determinado espaço cultural). Captada a verba, o empresário afirma que seis meses bastariam para completar as obras que permitiriam a abertura da primeira fase do Cine Teatro Paissandu ao público. 

A tela da arte

Inaugurado em 1960, quando os trabalhos de diretores como Jean-Luc Godard e François Truffaut começavam a sacudir o mundo do cinema, o Paissandu tornou-se a tela preferencial para os lançamentos de filmes menos comerciais – o dito “cinema de arte” – no circuito carioca. Os filhos da Geração Paissandu encontravam-se lá para assistir aos recentes lançamentos europeus, japoneses e latino-americanos, além dos filmes do então ascendente Cinema Novo: Deus e o Diabo na Terra do Sol, Os Fuzis, Vidas Secas. A programação era selecionada pela Cinemateca do Museu de Arte Moderna. Resistindo à extinção dos tradicionais cinemas de rua, o Paissandu foi incorporado ao Grupo Estação na década de 1990.  No seu fechamento, em agosto de 2008, o cinema acenou a seu passado de glória: exibia Trinta anos esta noite, do francês Louis Malle, um dos grandes campeões de bilheteria nos anos 60. Campeão para a Geração Paissandu, que fique claro.  

Agito cultural

O interesse pela ressurreição do clássico cinema da Senador Vergueiro fez com que Leo Feijó voltasse os olhos para o resto da vizinhança. Daí surgiu a proposta do Distrito Criativo do Flamengo e Arredores, do qual o empresário é um dos idealizadores e curadores, contando com o apoio do Sebrae e da Prefeitura do Rio. Desde janeiro, o Distrito promove (no primeiro e terceiro domingos de cada mês) o Parque Criativo, que ocupa o Teatro Carlos Werneck (Parque do Flamengo) com espetáculos cênicos, shows de música e exposições. No dia 20 de maio, a iniciativa ganha uma vitrine ainda maior com o projeto Cultura + 20. Serão realizados eventos em seis equipamentos culturais do bairro – o Memorial Getúlio Vargas, o Monumento a Estácio de Sá, o Castelinho, o Teatro Cacilda Becker e o Museu Carmen Miranda, além do Carlos Werneck. “Estamos mapeando os espaços culturais da região e fomentando as manifestações artísticas que surgem no bairro”, resume Feijó, que acumula experiências anteriores nos Polos Culturais da Lapa e de Botafogo.


Vídeo: Youtube

Edição: Blog Interativo

Fonte: Secretaria da Cultura do Estado do Rio de Janeiro/ Marco Antonio Barbosa














CINE BELAS ARTES-São Paulo-SP

QUARTA-FEIRA, 21 DE DEZEMBRO DE 2011
Nataly Costa - O Estado de S.Paulo

Justiça reabre tombamento do Belas Artes
Fachada não pode ser alterada pelo dono, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia, diz juiz

A Justiça de São Paulo mandou reabrir os processos de tombamento do Cine Belas Artes, em São Paulo, e proibiu qualquer reforma no imóvel da Rua da Consolação. A liminar acolheu um pedido do Ministério Público Estadual que, por sua vez, foi acionado pela militância do Movimento Belas Artes (MBA). O cinema está fechado desde março.

Processo vem se arrastando há 1 ano

A decisão saiu ontem, 20 dias depois de o Conselho Estadual de Proteção do Patrimônio (Condephaat) - até então o último recurso dos defensores do cinema - ter negado o tombamento. O processo vem se arrastando há 1 ano, desde que o dono do imóvel, Flávio Maluf, pediu um aluguel mais alto ou o prédio de volta. Caso mexa na fachada, Maluf pode ser multado em R$ 100 mil por dia.

Na ação, o juiz Jayme Martins de Oliveira afirma que "os fatos alegados são sérios e preocupantes". Para ele, há indícios de que tanto o Condephaat quanto o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio (Conpresp) - o primeiro a negar o tombamento do Belas Artes - não observaram "procedimentos necessários e legais ao exame da qualidade cultural do imóvel".
Uma das discussões acerca do tombamento é o que exatamente se pretende preservar - os órgãos de defesa do patrimônio entendem que o prédio não tem valor arquitetônico. Centenas de frequentadores do cinema, artistas e políticos que integram o MBA defendem, contudo, que o Belas Artes é um patrimônio cultural paulistano. A programação de arte, o "Noitão" e a localização contribuíam para torná-lo parte da memória afetiva da cidade.

Na liminar, o juiz leva em consideração a "enorme divergência sobre o patrimônio que se quer proteger" e diz que não adianta reconhecer o valor cultural do cinema depois que ele já tiver perdido suas características originais.

                                                                Fonte: Estadão





Cine Rex 
Teresina-PI

Outro Magnífico Palácio da Sétima Arte é o belíssimo edifício art-déco o Cine Rex,  construído em 1939, parte indissociável da Praça Pedro II . Durante anos, foi o principal (e às vezes o único) cinema da Cidade, frequentado pela alta sociedade. Com a chegada dos Shopping Centers e seus cinemas, entrou em decadência, sendo posteriormente fechado e funcionando hoje como casa noturna. Seus traços são típicos do estilo, com predomínio de linhas retas, rigor geométrico e padrões lineares repetitivos. O Cine REX é o último cinema-de-rua da capital piauense, Teresina.

Cine Rex TereHell

É um movimento popular construído por pessoas fisícas, teresinenses , que tem questionado a precária vida cultural na cidade, com destaque a depredação do patrimônio cultural e negligência governamental, em especial dos orgãos de cultura responsáveis pelo fomento da cultural local e do Piauí. O Movimento Popular surge como única forma de lutar pela Preservação do Patrimônio Cultural de sua bela cidade, em especial pelo Cine Rex, este Belíssimo  Palácio da Sétima Arte. A omissão do poder público em nada surpreende é vezeiro e costumeiro pois sempre comprometido com interesses econômicos em detrimento da história,da memória do bem público. Este movimento popular conta com o apoio de artistas ,cineastas,educadores, estudantes, intelectuais e jovens ,á sua frente pessoas abnegadas e valentes um exemplo á ser seguido pelas futuras gerações.

Mas a contrário senso, parece que finalmente a saga do Cine Rex encontra um final feliz.

Uma boa notícia foi divulgada pela Fundação Cultural do Piauí  em relação ao destino digno  do Cine Rex. A atual administração da pasta informou à imprensa que as negociações em torno da desapropriação do prédio do Cine Rex com o atual proprietário estão avançadas.

A Fundação tem o propósito de montar no local um Centro Técnico de Audiovisual com a manutenção da sala de projeção de cinema, salas de oficinas e laboratórios.

A desapropriação conforme informações do Assessor Técnico da Fundac, Francisco Pelé,a desapropriação e restauração do Cine Rex não deverá demorar muito. A presidente da Fundação, Bid Lima já esteve conversando com o atual proprietário do prédio, David Cortelazzi, que nomeou um procurador para fazer as negociações junto ao governo.

“Essa é uma das metas prioritárias da Fundac. A proposta já foi apresentada ao governador Wilson Martins e ele se mostrou bastante interessado pela proposta”, antecipou Francisco Pelé.

O processo de desapropriação se dá a partir de uma proposta de valor feita pelo proprietário e a ser pago pelo governo. Ao mesmo tempo, a Caixa Econômica Federal faz uma avaliação do imóvel conforme valor de mercado que serve como documento para o Estado realizar a transação.

“A Constituição garante ao Estado a desapropriação de prédios como este que faze parte do patrimônio cultural da cidade. Se o proprietário não entrar em acordo, a desapropriação pode ser feita judicialmente”, explicou Pelé.

O Centro Técnico de Audiovisual

Após a desapropriação do local, a Fundac pretende implantar um projeto inovador no Cine Rex. Segundo informações de Francisco Pelé, a ideia é manter a exibição de filmes de arte e implantar cursos para formação técnica de profissionais na área de áudio visual.


“A presidente Bid Lima já esteve em reunião com a ministra da Cultura e ela demonstrou interesse em financiar a restauração do prédio e o projeto do centro Técnico de Audiovisual, para isso só será preciso concluir a desapropriação do local, que será feita pelo governo do estado”, adiantou Pelé.

Com informações de Daiane Rufino do www.portalaz.com.br

quarta-feira, 16 de maio de 2012




CINEMA EXCELSIOR – Juiz de Fora – MG

POR  HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO

 – 17 DE ABRIL DE 2010 PUBLICADO EM: CINEMAS JÁ EXTINTOS, ENCICLOPÉDIA, JUIZ DE FORA, SALAS DE CINEMA, SALAS DE CINEMA DE MG

Em fevereiro de 1958, Juiz de Fora conhecia um novo conceito em cinema. Construído numa área localizada bem no centro da cidade e montado com os melhores equipamentos da época: ar-condicionado de última geração, som estereofônico e uma gigante tela atravessada em toda sua largura, o Cine Excelsior foi inaugurado na tarde do dia 06, durante um badalado coquetel oferecido pelos responsáveis pela obra, representados por Armando Favatto, arquiteto que projetou prédio (em homenagem a imprensa local) representada por Athos Branco da Costa, que discursaram e exaltaram a concretização desse arrojado empreendimento.

A inauguração do cinema já vinha sendo divulgada há alguns dias e todos estavam ansiosos para conhecer o magnífico espaço tão anunciado. Após o coquetel, os visitantes se deslumbraram ao entrar na sala e apreciar a belíssima arquitetura interna e o conforto das poltronas tecnicamente dispostas em posições estratégicas. O salão de projeções era algo não menos que extraordinário com 1.250 lugares.

Em seguida, foram exibidos dois documentários, o suficiente para mostrar aos jornalistas o verdadeiro som estereofônico e cenas em cinemascope na telona. No dia seguinte, em sessão especial, com renda revertida ao Abrigo Santa Helena e à Casa Maternal Maria Helena, as 20h30, esta bela casa de espetáculos cinematográficos exibiu o filme Tarde demais para esquecer, de Leo McCarey, estrelado por Cary Grant e Deborah Kerr, o primeiro do “majestoso festivo onde do inauguração”, que contava com mais seis produções da Fox Filmes: O manto sagrado, A fonte dos desejos, Suplício de uma saudade, Príncipe valente, A lenda da estátua nua e A lança partida. Mas o cinema foi aberto do grande público somente no dia 08.

Era uma tarde chuvosa. O povo, ansioso, se enfileirava sob a proteção das marquises enquanto aguardava a abertura do cinema. Lá, um mundo fantástico se preparava para entrar em cena. Quando o portão se abriu, os espectadores foram recepcionados por dez bonitas e sorridentes Bandeirantes, moças contratadas para conduzir as pessoas ao interior da sala de projeções. Logo que todos estavam devidamente acomodados, o vibrante som do Hino Nacional Brasileiro inaugurou oficialmente a vida do Cinema Excelsior. Após a solenidade, que contou com a presença do presidente da Fox no Brasil, foi anunciado o início de O manto sagrado, um filme bonito, bem filmado e sentimental, segundo a coluna de Décio Cataldi no Jornal Diário Mercantil do dia 09 de fevereiro de 1958.

Ao término da exibição, ao acender das luzes, algumas pessoas foram flagradas enxugando as lágrimas; algumas senhoras se arrependeram de seus decotes e sentiram frio devido ao super-poderoso ar-condicionado instalado no local. Após cada sessão daquele dia de inauguração, foram distribuídas revistas com toda a programação de fevereiro a maio daquele ano.

Na época da inauguração do Cinema Excelsior, havia mais sete cinemas funcionando em Juiz de Fora: Cine Palace, Cine-Theatro Central, Cine São Luiz, Cine Paraíso, Cine Rex, Cinema São Mateus e o Cinema Popular. Mas o Excelsior veio para revolucionar com tanta beleza e imponência que criavam um ambiente perfeito para envolver o espectador na diegese da história.

Dotado com os últimos requisitos da técnica cinematográfica, uma majestosa iluminação, que contava com cerca de 1.050 metros lineares de tubos de néon, uma belíssima cortina de palco, confeccionada com 500m de seda especial e o piso revestido com 250 metros quadrados de lã forrada com feltro. As 1.250 poltronas comportavam confortavelmente os espectadores para que eles pudessem se extasiar com a experiência fílmica que viria em seguida. A tela de cinemascope media 17m de largura por 6,5m de altura. Os projetoresGaumont Kalee eram o que havia de mais moderno na época e a transmissão era feita através de 21 alto-falantes.

O terreno, no qual se encontrava o edifício, foi adquirido por Maurício de Miranda Teixeira, Álvaro Leite Guimarães, Olympio Pinto Reis Filho e Maurício do Valle Aguiar. O idealizador do projeto foi “Procopinho”, filho do ex-prefeito da cidade, José Procópio Teixeira Filho. O projeto, de Armando Favatto, era bastante ousado para uma cidade que possuía apenas cerca de seis prédios com mais de cinco andares.

A idéia inicial era construir um prédio residencial, uma nova sala de exibição de filmes e vender o edifício após a conclusão da obra, localizada à Av. Barão do Rio Branco 1909.

Porém, apesar dos proprietários terem em mãos a melhor sala de cinema, não só de Juiz de Fora e região, mas de todo o estado de Minas Gerais, não conseguiram vendê-la. Logo o Cinema Excelsior teve que enfrentar uma concorrência inesperada representada pela TV. Um mês após sua inauguração, uma estação repetidora da TV Tupi foi instalada na cidade. Ainda tentava-se descobrir como seria a convivência entre a Sétima Arte e a TV que chegava e aumentava sua divulgação no país – algo semelhante à popularização da Internet nos dias de hoje. Outro fator que dificultou a venda do edifício foi o tabelamento dos preços, que fez com que os investimentos caíssem. Assim, os próprios empreendedores e permaneceram na condução da sala através da empresa aberta por eles, a Cia. Excelsior Ltda. Mesmo enfrentando desafios e dificuldades desde sua inauguração, o Cinema Excelsior viveu anos de muito sucesso.

Em seus dias mais movimentados, as filas se estendiam pela avenida Rio Branco, passavam pela rua Floriano Peixoto e iam até à Av. Getúlio Vargas. Em entrevista, Waltencyr Parizzi, talvez o ex-funcionário mais ilustre do antigo cinema, relembrou um dos momentos que marcaram os dez anos em que trabalhou no cinema Excelsior. Ele conta sobre a emoção de coordenar tanto aquele universo e proporcionar a tanta gente, cerca de 3000 pessoas por dia, o prazer de assistir a um filme num espaço tão majestoso quanto aquele. Ele se lembra, com um brilho especial no olhar, da época em que as pessoas ficavam emboladas na sala de espera, perto da porta, esperando a sessão terminar para pegar os melhores lugares e, quando entravam, os espelhos ficavam embaçados – tamanho era o calor humano que havia ali. Os

dias de maior glamour eram as terças-feiras, dia da “Sessão feminina”, quando as mulheres pagavam meia-entrada. Ao final destas sessões, era possível sentir o perfume deixado por elas na sala vazia. Um dos episódios que marcou a história do Excelsior foi uma sessão do sucesso de bilheteria “Help”, estrelado pelos Beatles. Um grupo de fãs mais “entusiasmado” da banda inglesa chegou a quebrar algumas poltronas e a polícia teve que ser acionada. E assim, o Cinema Excelsior seguiu sua trajetória exibindo belos filmes, servindo de lazer de toda a sociedade, sem restrições de classe, servindo de cenário para histórias fantásticas e divertindo toda uma população.

A partida de década de 70, a arte cinematográfica começou a perder um pouco do glamour dos anos 50. A popularização da TV desencadeou uma crise. O setor já estava estabilizado e novas emissoras iam surgindo. A maioria dos lares em Juiz de Fora já possuía um aparelho receptor, o que representava uma opção mais cômoda de diversão popular e puxava o público para dentro de casa e fora do cinema.

No final da década e início dos anos 80, a sétima arte novamente é vítima da tecnologia doméstica. Desta vez, foi o surgimento do vídeo-cassete, que virou o vilão da história. O novo aparelho abriu outros horizontes de consumo e modificou a forma com que as pessoas interagiam com o cinema, pois a partir dali era possível alugar filmes poucos meses após que saía de cartaz e assisti-lo sem sair de casa. Nada substituía a experiência de assistir um filme no cinema, mas mesmo assim, as escolhas foram ampliadas.

Outro motivo da decadência do cinema foi a instalação de salas menores em shopping centers, que, além da concorrência, eram consideradas mais cômodas por terem estacionamento, praça de alimentação e segurança. As chamadas “salas de rua” passaram a não ser viáveis economicamente porque além de serem muito grandes e gerarem despesas igualmente altas (60% da renda de um filme era destinada aos proprietários do filme e a outra fatia, 40% restantes, era destinada ao exibidor, que usava esse dinheiro também para pagar os impostos, funcionários e despesas fixas como luz e telefone), a falta de estacionamento foi um fator crucial para que o público trocasse essas salas pelas as de shoppings, que além de disponibilizar ao usuário um leque de opções de lazer, possuíam um estacionamento fácil e cômodo. Assim, o público dos chamados cinemas de “beira de rua” foi diminuindo e essas bilheterias já não geravam mais lucros satisfatórios.

O Cinema Excelsior já estava funcionando alguns meses no vermelho, funcionários haviam sido demitidos e os proprietários não tinham como enfrentar a crise do setor.

Os primeiros rumores sobre o fechamento do Cinema Excelsior foram divulgados pela imprensa no dia 02 de novembro dia 1994. A notícia era sobre uma reunião entre Robert Valanci, representante da Cia. Franco-Brasileira, proprietária do espaço, e Cláudio Bonato, representante da Sercla, o último empresa arrendatária do cinema. Essa reunião seria decisiva, pois ali se optaria pela renovação ou não do contrato de manutenção da locação, vencido já havia um mês. Cláudio Bonato já havia demonstrado interesse pela renovação, mas aguardava o pronunciamento da Companhia Franco-Brasileira. No dia 04 de novembro, aconteceu que a sociedade mais temia: a proposta de renovação contratual da Sercla não foi aceita pela Cia. Franco-Brasileirae o Cinema Excelsior teve suas atividades interrompidas. O letreiro de O cliente, do diretor Joel Schumacher, estrelado por Susan Sarandon e Tommy Lee Jones, foi substituído pelo de Fechado para reformas e assim permanece a quase em dezoito anos. A última sessão foi no domingo, dia 30 de outubro de 1994, às 21h. O fechamento desta tradicional sala de exibições gerou protestos e indignação dos moradores do edifício e de toda sociedade juizforana, que já sofria com fechamento de outros cinemas, como o Paraíso e o Palace.

O conselho de moradores do condomínio, representado por Carlos Henrique Teixeira e Maurício Halfeld, prometeu lutar para que o lugar não perdesse sua função cultural, já que começavam a surgir especulações de que a intenção dos proprietários da sala era transformar o edifício em uma casa de culto ou de bingo. A tentação do jogo de bingo, do dinheiro fácil, e a multiplicação das igrejas evangélicas se tornavam grave ameaça à arte e à cultura de todo o país. A cada cinema que se fechava para dar lugar a alguma atividade lucrativa, os setores culturais mostravam sua indignação. A tranqüilidade do condomínio foi apresentada como ponto fundamental para barrar atividades que gerassem barulho, tumulto ou consumo de bebidas alcoólicas (no caso do bingo) no térreo do edifício. Demais membros da sociedade civil e representantes políticos também protestaram contra o fechamento do cinema, “que constitui um grave e empobrecimento cultural da nossa cidade”, segundo o vereador Flávio Cheker, que liderou o processo de preservação do espaço como casa de atividades culturais.

Antes mesmo do encerramento das atividades do Cinema Excelsior, o vereador já havia enviado uma notificação ao então prefeito de Juiz de fora, Custódio de Mattos, pedindo que este se posicionasse diante da possibilidade de fechamento da sala. Flávio Cheker criticava a passividade das autoridades constituídas perante a probabilidade do cinema dar lugar a atividades que apenas visavam lucro, deixando de lado a veia artística do local. “O Cinema Excelsior não pode ser condenado com o aval e o silêncio das autoridades, a ter mesmo melancólico destino dos Cines Palace e Paraíso”, diz Flávio Cheker. Segundo ele, a prefeitura tem como impedir que o espaço seja utilizado para outras finalidades, e citou, como exemplo, as cidades de Belo Horizonte e RJ, cujos então prefeitos Patrus Ananias e César Maia assinaram decretos que impediram que casas semelhantes fossem utilizadas para abertura de bingos. Alguns dias após o “trágico” acontecimento, o vereador convocou uma audiência pública na Câmara municipal, em sessão extraordinária, para discussão do assunto visando a manutenção do Excelsior e a declaração do espaço como bem de interesse cultural. A reunião contou com a presença de representantes da Funalfa, da Câmara municipal, do condomínio, do Grupo Luzes da Cidade e de outras entidades. Os participantes avaliaram as peculiaridades da construção e da localização do cinema, levando em conta que a área urbana onde está inserido imóvel predispõe seu uso para fins culturais. Em 16 de novembro de 1994, a Câmara Municipal solicitou à Comissão Permanente Técnico Cultural (CPTC) do Ipplan, a abertura do processo administrativo para declarar o interesse cultural peloCinema Excelsior. Doze dias depois, o requerimento foi aprovado por unanimidade do CPTC e pelo prefeito Custódio de Mattos, que encaminhou notificação dos proprietários do imóvel. A empresa Franco-Brasileira se limitou a dizer que o imóvel não possuía relevância cultural e que outros argumentos seriam posteriormente apresentados.

Em maio de 1995, a questão parecia resolvida: o Decreto Municipal n. 5349 instituiu o cinema como um bem de interesse cultural da cidade. O decreto assegurava a natureza funcional do espaço, garantindo que este fosse apenas utilizado para fins artísticos e culturais e a preservação da arquitetura interna e externa. Assinaram o decreto o então prefeito Custódio de Mattos e a Secretária Municipal de Administração Ana Angélica de Andrade. Assim, o Excelsior foi promovido a status de patrimônio cultural do município. No dia 21 de maio, a Companhia Franco-Brasileira anunciava os preparativos para a re-inauguração do cinema, ainda sem data definida. A notícia causou alegria e alívio em toda a sociedade que se manifestou de diversas maneiras, inclusive num artigo que uma leitora de um jornal enviou à redação em agradecimento pelo empenho das autoridades em reativar um dos espaços culturais mais importante de Juiz de Fora. A reforma incluía novos equipamentos de projeção e 48 alto-falantes, o que havia de mais moderno em exibição de filmes. O restante da sala não passou por qualquer reforma por ter sido considerada dentro dos padrões exigidos pelos técnicos da franco-brasileira. A grande celebração dessa vitória ocorreria no dia 23 de junho, não fossem os problemas técnicos que frustraram a re-inauguração. A montagem dos equipamentos ainda não havia terminado no horário marcado e a festa teve que ser adiada para o dia seguinte. Foi necessária a convocação de mais três técnicos para agilizar os trabalhos. Neste dia, o cinema foi aberto apenas para visitação.

Mas, no dia 24 daquele mesmo mês, as instalações técnicas foram concluídas e o Cinema Excelsior pôde finalmente retomar sua atividade essencial. A Companhia Franco-Brasileira já tinha deixado clara a sua preferência pelos grandes lançamentos e o filme escolhido para a re-inauguração foi “Gasparzinho”, que já estava nas mãos do então gerente do cinema, José Zacarias, havia uma semana. Antes da exibição, foi realizado um ato público simbólico com a presença de todos envolvidos no processo e da sociedade em geral. Segundo Flávio Cheker, a festa marcava uma vitória da comunidade que soube defender patrimônio cultural democrático de toda a população.

A Funalfa havia demonstrado intenção de realizar obras no interior do Excelsior para que este servisse como substituto temporário do Cine-Theatro Central, que estava em obras na ocasião. A idéia era construir estruturas de palco, com coxias e camarins para a realização de espetáculos culturais. O projeto tomaria 100 das 1250 poltronas. A Franco-Brasileira, reconhecendo a demanda da cidade, chegou a demonstrar interesse na concretização da reforma, desde que a Funalfa assumisse as despesas e encargos. Mas a obra nem chegou a sair do papel.

Em julho de 1995, a Cia. Franco-Brasileira, legalmente representada pelo advogado Wandenkolk Moreira, iniciou uma batalha judicial contra a limitação do Excelsior à atividade cultural. A notícia foi recebida com surpresa pela Funalfa e pela sociedade que se viu novamente ameaçada de perder este espaço cultura. O advogado da empresa informou à imprensa que seus clientes não consideravam justa a restrição do uso do local, e que a prefeitura poderia desapropriar o imóvel e comprá-lo se assim o desejasse, mas não pode impor aos proprietários a restrição das atividades sem a devida indenização. Segundo o advogado, a decisão feria o direito do uso de propriedade. Em novembro do mesmo ano, o primeiro round da batalha foi vencido pelo procurador da Franco-Brasileira, que conseguiu obter um mandado de segurança que anulou o decreto municipal que protegia o cinema. A anulação do decreto foi concedida baseada em “ilegalidades quer no que concerne à sua adequação à legislação federal, quer no que concerne ao procedimento administrativo que lhe deu origem” como consta na anulação, assinada pelo Promotor de Justiça Igor Vanelli. O mandato de segurança dizia ainda que “houve abuso e desvio de poder no ato da autoridade apontada como co-autora, impondo restrição à liberdade de uso e fruição de um direito que lhe é constitucionalmente garantido: o de propriedade”. A Cia. Franco-Brasileira alegou ainda que houve falha no processo administrativo quando não lhe foi dado prazo suficiente para analisar o conteúdo e apresentar um memorial, fato que importa em grave ofensa ao princípio contraditório e da ampla defesa. Os proprietários afirmavam que a declaração de interesse cultural do cinema e conseqüentemente o seu uso exclusivamente para atividades culturais e acarretaria prejuízo e a diminuição do valor econômico do imóvel. Em resposta ao mandado de segurança, a prefeitura insistia que houve omissão por parte dos proprietários em justificar os motivos da sua impugnação e que é papel do poder público oferecer uma melhor função social à propriedade, desde que esta esteja sendo mal utilizada. Essa briga judicial se arrastou lentamente.

Em 1996, nada foi decidido quanto ao destino do cinema; em abril de 1997, a Câmara Municipal aprovou um segundo requerimento junto ao Ipplan, cujo objetivo era assegurar a utilização cultural do cinema. Sem resultados conclusivos, Flávio Cheker convocou uma audiência pública para fomentar novas discussões e propostas. Na época, a prefeitura tinha reaberto o processo em prol da declaração de interesse cultural. Desta vez, os responsáveis tomaram cuidado de não cometer novamente os mesmos erros que serviram de base para a anulação do processo anterior. Nessa audiência, foram discutidos o valor cultural e histórico do local, como também o comercial, cogitando-se inclusive a possibilidade de compra. Um ano após o requerimento, a CPTC ainda não havia avaliado situação.

Em julho de 1998, a CPTC definiu a mudança do processo de declaração de interesse cultural para tombamento do cinema, que foi logo negado. Em dezembro do mesmo ano, a CPTC define por unanimidade o não tombamento do imóvel alegando seguinte motivos: Características históricas e arquitetônicas não o justificam; a estréia de grandes lançamentos era realizada em outro cinema da cidade, o Central; mesmo tombado, o imóvel não ficaria restrito obrigatoriamente às projeções cinematográficas; com o tombamento do cinema, parte do bloco da frente do edifício também o seria, o que limitaria os direitos dos proprietários dos apartamentos ali localizados; a divisão da sala em duas menores implicaria em prejuízos para a sua arquitetura interna; o tombamento não assegura reabertura do processo. E nessas condições, o prefeito Tarcisio Delgado opta pelo encerramento do caso em 22 de fevereiro de 1999, ficando o cinema liberado para abrigar qualquer tipo de atividade, desde que o prédio não fosse descaracterizado. Vale ressaltar a diferença entre declaração de interesse cultural e tombamento. Enquanto a declaração de interesse cultural protege o imóvel no exercício de sua função cultural, o tombamento apenas protege arquitetura e as características físicas do local, não sendo obrigatória a utilização deste para fins artísticos. Neste caso, a melhor alternativa é a declaração de interesse, visto que o tombamento impediria as reformas necessárias para adaptação do local às propostas em pauta.

Cerca de dois meses depois, Flávio Cheker requer ao Ipplan a reabertura do processo de declaração de interesse cultural alegando que jamais havia solicitado abertura de processo tombamento. Ele questionava também o fato de o Ipplan ter encerrado o caso devido à existência de um estudo que prevê a extinção da lei de interesse cultural para a adequação da lei municipal à legislação federal, que não prevê este instrumento. A questão levou a Câmara Municipal a convocar a direção do Ipplan e os membros da CPTC para uma reunião extraordinária. Cheker protestou contra a decisão afirmando que não se indefere uma solicitação levando em consideração uma futura mudança da legislação vigente no período da solicitação. Foi um equívoco grave, um atropelo da lei, disse. Em resposta ao vereador, o secretário de governo José Eustáquio Romão, representante o Ipplan, argumentou que mudanças na legislação municipal acarretam mudanças também na elaboração de mensagem do executivo.

Em maio de 1999, Tarcisio Delgado informou a reabertura do processo de declaração de interesse cultural – processo este com o número 4495/94. A partir daí, a prefeitura afirmava que por mais de um ano enfrentou sérias dificuldades à alternativa legal de notificação aos proprietários, já que estes se recusavam a responder os documentos enviados. No final do ano de 2000, a CPTC votou por unanimidade a não declaração de interesse cultural do imóvel. A comissão justificou a negativa com os mesmos argumentos com os quais indeferiu o tombamento do bem. O vereador argumentou novamente que o tombamento e a declaração são instrumentos distintos e que as justificativas para a negação de um não se aplicariam ao outro. Em agosto do ano seguinte, Cheker solicita a reabertura do processo, visto que não houve justificativa para o encerramento do mesmo, meses atrás, mas para sua surpresa foi informado que o caso havia sido novamente encerrado em reunião no dia 25 de julho. Em 2001, a situação do cinema era precária; o imóvel estava em total estado de abandono, sujo e infestado de ratos. “O descaso com o cinema é um descaso com a população juizforana”, disparou o representante dos moradores do edifício Excelsior Sidney Ferreira. Também foi alertado para a perda das referências “é preciso modificar esta cultura de esquecimento”, definiram na época. O vereador convocou nova audiência pública na qual propôs a compra do espaço visando a seguridade de suas atividades culturais ou, na falta de acordo, a desapropriação do local. A meta era, pela enésima vez desde o fechamento da sala de exibição, conseguir a declaração de interesse cultural do imóvel, o que garantiria que ali somente se realizassem eventos culturais. Uma comissão especial foi nomeada pela CPTC para acompanhar de perto o andamento do processo. Mas, diante de mais uma desaprovação da declaração de interesse cultural do antigo cinema, o vereador questionou a legitimidade da comissão nomeada, face a inexistência de documentos que comprovem a indicação de seus atuais membros e também a mudança de opinião da comissão e o desinteresse do poder público em relação ao destino do cinema.

Em outubro de 2002, como “tentativa derradeira” de preservar o cinema, o vereador encaminhou à prefeitura de Juiz de Fora, anexo a um novo pedido de reabertura do processo, um dossiê de 150 páginas com todo o histórico de suas frustradas tentativas de proteger o imóvel. A decisão do vereador foi tomada em função de parecer da CPTC que mais uma vez negou a declaração de interesse do Excelsior meses antes. Até hoje a situação é a mesma: portas fechadas, poder público omisso e a cidade convivendo com cartaz de “fechado para reformas”. Reforma esta que deveria ser feita nos conceitos de quem tem em mãos o poder de preservar o espaço, de proporcionar à sociedade juizforana um centro cultural de alta excelência como aquele espaço tem condição de abrigar e não o faz. É estarrecedor constatar que, em nome da lei do mercado capitalista, onde pouco importa a fonte do lucro, desde que ele exista, aquele belíssimo espaço, com suas infinitas possibilidades, esteja a mercê desse jogo de indefinições quase dez anos depois de seu fechamento. Mas é assim. E assim será até, sabe Deus quando, que alguma solução definitiva seja encontrada. Aliás, encontrada não: acatada pelo poder executivo, já que várias propostas já lhe foram enviadas e até agora, nenhuma atitude rígida em relação a este problema.

A sociedade juizforana anseia não só pela volta do Excelsior, ou pelo imponente centro cultural que poderia vir a funcionar ali, mas principalmente pela conscientização da importância e do privilégio que é ter aqui uma sala de exibição deste porte, que só é comum em grandes capitais como Rio-São Paulo. Juiz de Fora cultiva a cultura do esquecimento: cresceu em proporções aceleradas e se esqueceu de preservar a veia artística tão forte tempos atrás e tão desamparada atualmente. Enquanto isso, a memória cultural da cidade vai sendo esquecida nos arquivos das bibliotecas, em páginas empoeiradas em estantes públicas e na memória de quem teve a honra de viver o ritual que deixar avenida Rio Branco para trás e mergulhar no universo mágico do cinema naquele que é um dos maiores marcos da cultura desta cidade.
No final do ano de 2010, o imóvel foi vendido para novos donos e em março de 2011, infelizmente, o Cine Excelsior (o Maior Cinema do Interior de Minas Gerias Ainda Preservado) – uma verdadeira preciosidade da elegância arquitetônica cinematográfica dos anos 1950 – foi declarado “sem interesse cultural” pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural (COMPPAC) de Juiz de Fora. Em novembro  de 2011, o cinema foi descaracterizado em poucos dias para obra  de um estacionamento.