Mais um belo exemplo da Cidade
Maravilhosa
SEGUNDA-FEIRA, 30 DE ABRIL DE
2012
Patrimônio Cultural do Flamengo
O novo cinema Paissandu vai
abrigar mais do que filmes de arte: exposições, shows, espetáculos teatrais,
galeria de arte e restaurante completam o projeto
O mesmo Rio de Janeiro que parava
para ver a Garota de Ipanema passar e temperava suas conversas com as gírias
lançadas pelo Pasquim tinha endereço certo na hora de ir ao cinema – Rua
Senador Vergueiro, 35-F, Flamengo. Lá, por 48 anos, funcionou a sala que
transformou-se em símbolo da paixão do carioca pela sétima arte: o Cine
Paissandu. Desde 2008, o histórico espaço está fechado, depois de abrigar, por
décadas, o melhor do cinema de arte do Brasil e do mundo – e de ter formado,
nos anos 60 e 70, um grupo de cinéfilos conhecidos como a Geração Paissandu.
Muitos foram os protestos contra o fechamento do cinema e mais de uma
iniciativa visando sua reabertura foi anunciada. Porém, 2012 parece ser o ano
em que afinal o Paissandu voltará à vida cultural carioca, numa versão
repaginada, que ultrapassa o simples espaço para exibição de filmes. Tocado
pelos mesmos responsáveis por sucessos como o Teatro Odisseia e o Cinematheque
Música Contemporânea, o relançamento vai transformar o antigo cinema numa sala
multiuso, abrigando exposições, shows, espetáculos teatrais, uma galeria de
arte e um restaurante... além, claro, de filmes.
“Como morador de Botafogo que
sempre circulou pelo Flamengo, também tenho uma ligação afetiva com o
Paissandu”, afirma Leo Feijó, empresário, sócio do Grupo Matriz e agitador
cultural que, junto ao jornalista Rodrigo Pinto, concebeu o projeto de
revitalização, aprovado pelos proprietários do imóvel há cerca de um ano.
Diante da inviabilidade de transformar o cinema num multiplex com várias salas,
a ideia é abrigar outras atividades e manifestações artísticas. “Há uma
carência de espaços desse tipo na Zona Sul e principalmente naquele entorno. O
carioca está interessado em movimentos como esse”, diz Feijó. “Realizamos a campanha ‘Quero o Paissandu
Reaberto’ no Facebook (www.facebook.com/paissandu) e conseguimos reunir 600
pessoas em um evento para lançar a iniciativa.”
O plano para o novo Cine Teatro
Paissandu prevê uma lotação variável, comportando entre 570 (cinema e teatro) e
1.700 (shows) espectadores. Com dois pavimentos (um subterrâneo), poderá
comportar concertos, performances, espetáculos de dança e de teatro,
exposições, festas, lançamentos de livros e gravações de programas de TV. Serão
três espaços principais – um para shows e duas salas de cinema, uma das quais
(a maior, com 570 lugares) capaz também de receber peças de teatro. Estima-se
que até 60 mil pessoas passem pelo novo Paissandu a cada mês no primeiro ano de
atividade da casa.
O projeto pretende inserir de forma
ativa o Cine Teatro Paissandu na vida cultural do bairro do Flamengo e das
áreas vizinhas. O centro cultural vai emprestar apoio institucional a melhorias
realizadas pelo poder público na vizinhança, além de abrigar debates sobre
temas importantes para a comunidade, workshops e palestras para estudantes e
cursos técnicos voltados para atividades artísticas. No tocante à
sustentabilidade, pretende ser um marco entre as casas de espetáculos
brasileiras. Geradores e aquecedores à base de luz solar, luzes LED (mais
econômicas) e tecnologias para reúso de água da chuva e reciclagem de resíduos
serão incorporados à infraestrutura.
Por ser considerado parte do
patrimônio cultural carioca, o Paissandu tem privilégios na hora da captação de
verbas via Lei Rouanet. “Estamos inscritos na Rouanet e em outras leis de
incentivo cultural”, conta Leo Feijó. “E também estamos em negociação com
algumas empresas, que podem patrocinar a casa no modelo de naming rights (no
qual uma empresa “batiza” um determinado espaço cultural). Captada a verba, o
empresário afirma que seis meses bastariam para completar as obras que
permitiriam a abertura da primeira fase do Cine Teatro Paissandu ao
público.
A tela da arte
Inaugurado em 1960, quando os
trabalhos de diretores como Jean-Luc Godard e François Truffaut começavam a
sacudir o mundo do cinema, o Paissandu tornou-se a tela preferencial para os
lançamentos de filmes menos comerciais – o dito “cinema de arte” – no circuito
carioca. Os filhos da Geração Paissandu encontravam-se lá para assistir aos
recentes lançamentos europeus, japoneses e latino-americanos, além dos filmes
do então ascendente Cinema Novo: Deus e o Diabo na Terra do Sol, Os Fuzis,
Vidas Secas. A programação era selecionada pela Cinemateca do Museu de Arte
Moderna. Resistindo à extinção dos tradicionais cinemas de rua, o Paissandu foi
incorporado ao Grupo Estação na década de 1990.
No seu fechamento, em agosto de 2008, o cinema acenou a seu passado de
glória: exibia Trinta anos esta noite, do francês Louis Malle, um dos grandes
campeões de bilheteria nos anos 60. Campeão para a Geração Paissandu, que fique
claro.
Agito cultural
O interesse pela ressurreição do
clássico cinema da Senador Vergueiro fez com que Leo Feijó voltasse os olhos
para o resto da vizinhança. Daí surgiu a proposta do Distrito Criativo do
Flamengo e Arredores, do qual o empresário é um dos idealizadores e curadores,
contando com o apoio do Sebrae e da Prefeitura do Rio. Desde janeiro, o
Distrito promove (no primeiro e terceiro domingos de cada mês) o Parque
Criativo, que ocupa o Teatro Carlos Werneck (Parque do Flamengo) com
espetáculos cênicos, shows de música e exposições. No dia 20 de maio, a
iniciativa ganha uma vitrine ainda maior com o projeto Cultura + 20. Serão
realizados eventos em seis equipamentos culturais do bairro – o Memorial
Getúlio Vargas, o Monumento a Estácio de Sá, o Castelinho, o Teatro Cacilda
Becker e o Museu Carmen Miranda, além do Carlos Werneck. “Estamos mapeando os
espaços culturais da região e fomentando as manifestações artísticas que surgem
no bairro”, resume Feijó, que acumula experiências anteriores nos Polos
Culturais da Lapa e de Botafogo.
Vídeo: Youtube
Edição: Blog Interativo
Fonte: Secretaria da Cultura do
Estado do Rio de Janeiro/ Marco Antonio Barbosa

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