quinta-feira, 17 de maio de 2012



Mais um belo exemplo da Cidade Maravilhosa

SEGUNDA-FEIRA, 30 DE ABRIL DE 2012

Patrimônio Cultural do Flamengo



O novo cinema Paissandu vai abrigar mais do que filmes de arte: exposições, shows, espetáculos teatrais, galeria de arte e restaurante completam o projeto

O mesmo Rio de Janeiro que parava para ver a Garota de Ipanema passar e temperava suas conversas com as gírias lançadas pelo Pasquim tinha endereço certo na hora de ir ao cinema – Rua Senador Vergueiro, 35-F, Flamengo. Lá, por 48 anos, funcionou a sala que transformou-se em símbolo da paixão do carioca pela sétima arte: o Cine Paissandu. Desde 2008, o histórico espaço está fechado, depois de abrigar, por décadas, o melhor do cinema de arte do Brasil e do mundo – e de ter formado, nos anos 60 e 70, um grupo de cinéfilos conhecidos como a Geração Paissandu. Muitos foram os protestos contra o fechamento do cinema e mais de uma iniciativa visando sua reabertura foi anunciada. Porém, 2012 parece ser o ano em que afinal o Paissandu voltará à vida cultural carioca, numa versão repaginada, que ultrapassa o simples espaço para exibição de filmes. Tocado pelos mesmos responsáveis por sucessos como o Teatro Odisseia e o Cinematheque Música Contemporânea, o relançamento vai transformar o antigo cinema numa sala multiuso, abrigando exposições, shows, espetáculos teatrais, uma galeria de arte e um restaurante... além, claro, de filmes.     


“Como morador de Botafogo que sempre circulou pelo Flamengo, também tenho uma ligação afetiva com o Paissandu”, afirma Leo Feijó, empresário, sócio do Grupo Matriz e agitador cultural que, junto ao jornalista Rodrigo Pinto, concebeu o projeto de revitalização, aprovado pelos proprietários do imóvel há cerca de um ano. Diante da inviabilidade de transformar o cinema num multiplex com várias salas, a ideia é abrigar outras atividades e manifestações artísticas. “Há uma carência de espaços desse tipo na Zona Sul e principalmente naquele entorno. O carioca está interessado em movimentos como esse”, diz Feijó.  “Realizamos a campanha ‘Quero o Paissandu Reaberto’ no Facebook (www.facebook.com/paissandu) e conseguimos reunir 600 pessoas em um evento para lançar a iniciativa.” 

O plano para o novo Cine Teatro Paissandu prevê uma lotação variável, comportando entre 570 (cinema e teatro) e 1.700 (shows) espectadores. Com dois pavimentos (um subterrâneo), poderá comportar concertos, performances, espetáculos de dança e de teatro, exposições, festas, lançamentos de livros e gravações de programas de TV. Serão três espaços principais – um para shows e duas salas de cinema, uma das quais (a maior, com 570 lugares) capaz também de receber peças de teatro. Estima-se que até 60 mil pessoas passem pelo novo Paissandu a cada mês no primeiro ano de atividade da casa. 

O projeto pretende inserir de forma ativa o Cine Teatro Paissandu na vida cultural do bairro do Flamengo e das áreas vizinhas. O centro cultural vai emprestar apoio institucional a melhorias realizadas pelo poder público na vizinhança, além de abrigar debates sobre temas importantes para a comunidade, workshops e palestras para estudantes e cursos técnicos voltados para atividades artísticas. No tocante à sustentabilidade, pretende ser um marco entre as casas de espetáculos brasileiras. Geradores e aquecedores à base de luz solar, luzes LED (mais econômicas) e tecnologias para reúso de água da chuva e reciclagem de resíduos serão incorporados à infraestrutura. 

Por ser considerado parte do patrimônio cultural carioca, o Paissandu tem privilégios na hora da captação de verbas via Lei Rouanet. “Estamos inscritos na Rouanet e em outras leis de incentivo cultural”, conta Leo Feijó. “E também estamos em negociação com algumas empresas, que podem patrocinar a casa no modelo de naming rights (no qual uma empresa “batiza” um determinado espaço cultural). Captada a verba, o empresário afirma que seis meses bastariam para completar as obras que permitiriam a abertura da primeira fase do Cine Teatro Paissandu ao público. 

A tela da arte

Inaugurado em 1960, quando os trabalhos de diretores como Jean-Luc Godard e François Truffaut começavam a sacudir o mundo do cinema, o Paissandu tornou-se a tela preferencial para os lançamentos de filmes menos comerciais – o dito “cinema de arte” – no circuito carioca. Os filhos da Geração Paissandu encontravam-se lá para assistir aos recentes lançamentos europeus, japoneses e latino-americanos, além dos filmes do então ascendente Cinema Novo: Deus e o Diabo na Terra do Sol, Os Fuzis, Vidas Secas. A programação era selecionada pela Cinemateca do Museu de Arte Moderna. Resistindo à extinção dos tradicionais cinemas de rua, o Paissandu foi incorporado ao Grupo Estação na década de 1990.  No seu fechamento, em agosto de 2008, o cinema acenou a seu passado de glória: exibia Trinta anos esta noite, do francês Louis Malle, um dos grandes campeões de bilheteria nos anos 60. Campeão para a Geração Paissandu, que fique claro.  

Agito cultural

O interesse pela ressurreição do clássico cinema da Senador Vergueiro fez com que Leo Feijó voltasse os olhos para o resto da vizinhança. Daí surgiu a proposta do Distrito Criativo do Flamengo e Arredores, do qual o empresário é um dos idealizadores e curadores, contando com o apoio do Sebrae e da Prefeitura do Rio. Desde janeiro, o Distrito promove (no primeiro e terceiro domingos de cada mês) o Parque Criativo, que ocupa o Teatro Carlos Werneck (Parque do Flamengo) com espetáculos cênicos, shows de música e exposições. No dia 20 de maio, a iniciativa ganha uma vitrine ainda maior com o projeto Cultura + 20. Serão realizados eventos em seis equipamentos culturais do bairro – o Memorial Getúlio Vargas, o Monumento a Estácio de Sá, o Castelinho, o Teatro Cacilda Becker e o Museu Carmen Miranda, além do Carlos Werneck. “Estamos mapeando os espaços culturais da região e fomentando as manifestações artísticas que surgem no bairro”, resume Feijó, que acumula experiências anteriores nos Polos Culturais da Lapa e de Botafogo.


Vídeo: Youtube

Edição: Blog Interativo

Fonte: Secretaria da Cultura do Estado do Rio de Janeiro/ Marco Antonio Barbosa

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