CINE RIO BRANCO DE VARGINHA TOMBADO COMO PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE MINAS GERAIS
Texto recuperado do site original do "MOVIMENTO DOS SEM
TELA".
A caracterização arquitetônica original está descrita e
documentada em texto dos arquitetos Olavo Pereira da Silva e Maria Cristina
Caio Silva em 20 de junho de 1998, textualmente reproduzido abaixo:
"Quando procuramos por uma característica particular ou
por elementos originais no prédio do Cine Rio Branco vamos encontrá-los, com
mais nitidez, no arranjo de formas arquitetônicas diversas, em sintonia com a
tendência poliestilista que marcou os anos do pós guerra. O cinema surgiu num
momento de grandes perspectivas para o mercado cinematográfico brasileiro,
quando a Atlântida estava em plena produção, embora coincidindo com o
encerramento das atividades da Vera Cruz.
Sua arquitetura exibe o timbre do ecletismo mesclado no
abstracionismo do art decô, que delinea o ambiente interno, e nas cores pastéis
e preto do foyer e frontaria assimétrica, com perfis e colunas inclinadas,
revestimentos de pedra e vedações com tijolos de vidro alusivos ao modernismo.
Na frontaria, um grande painel de combogó, que lembra o
Pavilhão Brasileiro na Feira de Nova York, em 1939-40, emoldurado por frisos,
sobre a marquise em toda a extensão da fachada, sugere uma tela de projeções,
caracterizando a função do imóvel. Somando-se a ele grandes vidraças conjugadas
com varandas abertas e guarnecidas com balaustradas de ferro e que se repetem
no interior. A simplicidade compositiva imprime o sentido arquitetônico da
obra, mas não traduz a volumetria interna, talvez pela própria altura e
declividade natural do terreno onde foi adequadamente assentada a platéia. Esta
é dividida em nove setores, sendo seis no térreo e três no balcão.
Em que pese o repertório eclético o conjunto é vigoroso,
especialmente na volumetria do ambiente interno, ajustada para 1.400 poltronas,
das quais 400 no balcão. O super dimensionamento (43,50 metros de profundidade
por 24,90 metros de frente) é o reflexo do monumentalismo que caracterizou um
estilo de vida pré-industrial. Apesar da simplicidade das linhas a passagem do
foyer para platéia é surpreendentemente contrabalançada pelo grande volume,
iluminação e acústica da sala de projeções. Sente-se ali o clima romântico dos
anos sessenta.
O prédio é valorizado pelo mobiliário, especialmente divãs,
balcões, espelhos, lustres e luminárias. Esta últimas dos tipos cone e calota
esférica, em alumínio perfurado e pintadas de cores fortes. A iluminação em
cores e luzes indiretas completa a caracterização do ambiente.
Balaustradas de ferro cruzado com corrimãos de madeira
polida, aliadas aos lambris de madeira canelada, ao frisamento xadrez das
paredes, às poltronas e recortes da boca de cena e teto são as mais fortes
expressões vinculadas ao art decô, enquanto o geometrismo ordenador confere um
ar de modernidade.
Todos os revestimentos do prédio ainda estão preservados. As
repinturas, embora em tonalidades aparentemente diferenciadas das originais,
conservam a tendência do cromatismo original. Quando da inauguração do cinema o
Jornal o Correio do Sul revela que predominavam no interior o azul, rosa e
branco, além do azul-claro. O piso é taqueado na platéia e balcão, cerâmico no
mezanino e marmorizado no foyer. A cobertura, originalmente de telhas cerâmicas
foi substituída por telhas de cimento amianto. Sua enorme tela foi construída
para exibição de filmes panorâmicos, vistavison, cinemascope, supercope, etc. A
acústica é tratada com eucatex perfurado. A cabine de projeções era então o que
havia de mais moderno no mundo. Também mobiliário – poltronas, bilheterias, cadeiras
e divãs, mesas e balcões – encontra-se presente.
A construção de concreto armado foi fiel ao projeto, em que
pese algumas diferenciações estruturais, e encontra-se em boas condições de
conservação, salvo as instalações sanitárias que já perdeu alguns elementos de
época, pela própria fadiga dos materiais, além de serviços generalizados de
manutenção.
O Cinema Rio Branco teve suas obras iniciadas em 7 de agosto
de 1954 e inauguradas em 11 de agosto de 1956 e sua importância como casa de
projeções pode ser conferidas no Theatre Catalog – equipment encyclopedia and
buyers guide, Philadelphia, Penna. USA. 1958, onde ilustra uma página inteira
com fotos e referências técnicas.
A ficha técnica da construção do Cinema Rio Branco,
publicada no jornal Correio do Sul, ano XI, n. 1.107, 16/08/1956, é a seguinte:
Construção: eng. Maurício Ferreira Barros.
Projeto e decoração: José Braga Jordão.
Cálculo de concreto: eng. Mildo Rugani.
Encarregado das obras: sr. Antonio Napoleão de Marco.
Colaboração da Eng. Engenharia de S. Paulo através de seu
diretor eng. Szymon Goltard."
CRB-CARAC
web.archive.org
"Quando procuramos por uma característica particular ou
por elementos originais no prédio do Cine Rio Branco vamos encontrá-los, com
mais nitidez, no arranjo de formas arquitetônicas diversas, em sintonia com a
tendência poliestilista que marcou os anos do pós guerra. O cinema surgiu num
momento de ...
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